Se o Fórum Social nasceu como contraponto ao Fórum
Econômico e seus autoproclamados 'líderes mundiais',
logo se transformou, naturalmente, num laboratório de novas
práticas políticas para interação e
organização de quem trabalha por um mundo distante
da utopia capitalista.
O que se busca é aprimorar, a cada ano, uma espécie de Democracia Radical, calcada nos princípios da autogestão, da inclusividade e do respeito às diferenças. Isso se reflete diretamente na maneira de organizar eventos ligados ao FSM, como o Sábado-Feira, o Dia Mundial de Ação e os Fóruns regionais, nacionais ou temáticos.
As metodologias e formatos adotados não estão prontos e acabados. É bem provável que nunca estejam dado que o Fórum Social não é um evento que se repete todos os anos, mas um processo em constante reinvenção de si mesmo.
Os Grupos de Trabalho que atuam no planejamento e execução dos eventos são formados, em sua maioria, por representantes das entidades partícipes, dividindo responsabilidades e tarefas em regime de mútua colaboração, no sentido mais profundo do termo: trabalhar junto, sem cargos ou funções de mando ou centralizadores de poder.
Embora se pretenda sempre o melhor resultado possível, isso não implica em controles rígidos e fechados. Ao contrário, com todos os riscos inerentes, abrem-se espaços para que surjam o desconhecido e o inesperado,. Somente a partir de experiências como essas é que se constrói um novo aprendizado, uma nova cultura e uma nova política.
As três primeiras edições do Fórum Social Mundial, realizadas em 2001, 2002 e 2003, em Porto Alegre (Brasil), foram organizadas por um comitê organizador (CO) formado por oito entidades brasileiras: Abong, Attac, CBJP, Cives, CUT, Ibase, MST e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.
Quando o FSM transferiu-se para Mumbai (Índia), foi criado um Comitê Organizador Indiano, responsável pela organização do IV FSM, ocorrido em janeiro de 2004.
Para a quinta edição do FSM (realizada em janeiro de 2005, em Porto Alegre), foi constituído um Comitê Organizador Brasileiro formado por 23 organizações, subdivididas em oito GTs (Grupos de Trabalho): Espaços, Economia Popular Solidária, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Cultura, Tradução, Comunicação, Mobilização e Software Livre (articulado com o GT de Comunicação).
O VI Fórum Social Mundial foi policêntrico, ou seja, ocorreu de forma descentralizada, em três cidades: Bamako (Mali - África), de 19 a 23 de janeiro de 2006; Caracas (Venezuela - América), de 24 a 29 de janeiro de 2006, e Karachi (Paquistão - Ásia), de 24 a 29 de março de 2006. Para cada evento foi criado um comitê organizador.
Da mesma forma, na sétima edição do FSM. realizada em Nairóbi, no Quênia, de 20 a 25 de janeiro de 2007, também foi criado um comitê organizador local.
A nova modalidade do processo FSM levada a cabo em janeiro de 2008 com a Semana de Mobilização e Ação Global, contou com comitês organizadores próprios em cada uma das 800 atividades ou ações inscritas, excetuando-se aquelas empreendidas por apenas uma entidade ou grupo de ativistas.